O quebra-quebra de 1942

O dia 18 de agosto de 1942 parecia ser mais um dia comum no Brasil do Estado Novo, que assistia, sem maior envolvimento, à Segunda Guerra Mundial. O afundamento de seis navios brasileiros por submarinos alemães não havia gerado ainda nenhuma resposta do governo de Getúlio Vargas às forças do Eixo (formado por Alemanha, Itália e Japão). A população, inconformada com tamanha afronta dos alemães, toma suas próprias providências e sai às ruas para quebrar todos os estabelecimentos comerciais que tivessem alguma ligação com os países que passara a considerar inimigos. Acontece, então, o Quebra-Quebra de 42.

Em meio àquela confusão, estava Thomaz Pompeu Gomes de Matos, que fez várias fotografias do movimento popular. O fato não foi muito comentado pelos jornais da época, que preferiram não dar repercussão a um caso de desordem pública em pela ditadura. Assim, os principais registros da revolta, acontecida dois dias antes de o Brasil entrar oficialmente na Segunda Guerra, foram as imagens feitas pelo jovem. Para não ir contra os interesses do governo ditatorial, Thomaz Pompeu negou por muito tempo a autoria das fotos, que só foram divulgadas na década de 1980, na coluna de Miguel Ângelo de Azevedo (Nirez) no jornal O Povo.

Quase 70 anos depois do Quebra-Quebra,as fotografias serão, pela primeira vez, publicadas integralmente pela Secretaria da Cultura/IACC, em edição fac-similar do álbum original, com os comentários do autor. A publicação “Quebra-Quebra de 1942 em Fortaleza” é do Núcleo de Pesquisa Cultura e Memória, vinculado ao Memorial da Cultura Cearense do Centro Dragão do Mar. Além do álbum, será publicado um volume com três artigos dos historiadores Carlos Renato Freire, Daniel Gonçalves e Emy Falcão sobre o acontecimento, as fotografias e o contexto em que se insere a memória do fato.

A publicação é fruto de um trabalho de quase três anos do Núcleo, que contou com o apoio da FUNCAP (Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico) para manter as bolsas de pesquisa. Para Carlos Renato Freire, um dos realizadores do projeto, a obra publicada é também a “concretização do museu como um lugar de produção de conhecimento” além de significar uma realização pessoal para Thomaz Pompeu, que depois de mais de seis décadas, assume a autoria das imagens.

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Jaqueline Aragão Cordeiro

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