Soldados da borracha

Soldados da Borracha foi o nome dados aos brasileiros que entre 1943/1945 foram alistados e transportados para a Amazônia pelo Semta (Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia), com sede no nordeste, em Fortaleza criado pelo então Estado Novo. A escolha do nordeste como sede deveu-se essencialmente como resposta a uma seca devastadora na região e à crise sem precedentes que os sertanejos da região enfrentavam, com o objetivo de extrair borracha para os Estados Unidos da América (Acordos de Washington) na II Guerra Mundial.

Para a extração da borracha neste período, acontece uma migração de nordestinos, pois o estado sofria as consequências da seca que assolava o estado.  Só do nordeste, foram para a Amazônia 54 mil trabalhadores, sendo 30 mil deles apenas do Ceará.

Estes foram os peões do Segundo Ciclo da Borracha e da expansão demográfica da Amazônia. O contingente de Soldados da Borracha é calculado em mais de 50 mil, sendo na grande maioria nordestinos e, por sua vez, cearenses. A Amazônia, paraíso dos seringais, pairava sobre Fortaleza, ofertada, como um sonho de fartura e riqueza, para uma população economicamente fragilizada, em decorrência de mais uma seca.

Recrutados do Ceará

Os Soldados da Borracha, depois de alistados, examinados e dados como habilitados nos alojamentos em Fortaleza (Prado e Alagadiço) recebiam um kit básico de trabalho na mata, que constituía-se de uma calça de mescla azul, uma camisa branca de morim, um chapéu de palha, um par de alpercatas, uma mochila, um prato fundo, um talher (colher-garfo), uma caneca de folha de flandes, uma rede, um maço de cigarros Colomy e um saco de estopa no lugar da mala. O ponto de partida para muitos deles foi a Ponte Metálica (porto de Fortaleza na época). Só na Amazônia estes receberam o treinamento para a extração da borracha.

Foi prometido aos Soldados da Borracha que, após a guerra, estes retornariam à terra de origem. Na prática, mais da maioria deles morreu de doenças como malária ou por influência de atrocidades da selva. Os sobreviventes ficaram na Amazônia por não ter dinheiro para pagar a viagem de volta, ou porque estavam endividados com os seringalistas (donos do seringais).

Ao contrário dos Pracinhas, estes só foram reconhecidos como combatentes da II Guerra Mundial em 1988, e apenas com este reconhecimento tiveram direito a uma pensão vitalícia.

O cineasta Wolney Oliveira realizou um documentário resgatando esta história que você pode ver no you tube.
Fonte: Wikipédia e Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará/Sala Chico da Silva (MAUC UFC)
Jaqueline Aragão Cordeiro

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

*