A seca de 1825 e a corrupção no Ceará

A seca de 1825, 26 e 27 foi uma das piores da história e assolou o Ceará. O presidente da província Antônio de Salles Belfort pediu ajuda ao governo, mas antes que essa ajuda chegasse, particulares mandaram do Pará, grande volume em dinheiro para socorrer as vítimas. Infelizmente, a distribuição desse socorro, foi marcada pela corrupção.

Em 1826, o Cel. José Antônio Machado foi incumbido de receber e distribuir os recursos, mas, ao invés de distribuir aos necessitados, foi usado para pagamento de dívidas entre Machado e seus comparsas. O presidente Belfort, notando a fraude, reclamou com Machado por duas vezes, não obtendo êxito, fez ofício ao Ministro protestando contra a conduta de Machado e pedindo providencias para obrigá-lo a distribuir as doações com os pobres.

Em dezembro de 1827, a ajuda chegou vinda da Bahia e Pernambuco, por ordem imperial, a fim de evitar mais tragédia, foi enviado farinha de mandioca, milho, feijão e arroz, para ser distribuído aos pobres ou ser vendido por preço razoável. Além dessa ajuda em gêneros, os deputados e senadores mandaram ajuda em dinheiro, e com medo das fraudes na distribuição, o presidente fez isso pessoalmente.

Em 1828 a província ainda recebeu doação de farinha, milho e feijão da Bahia, mas aqui, ainda haviam esses gêneros que eram vendidos mais baratos, conforme relato do presidente Belfort. Felizmente, nesse ano, a ajuda chegou cedo, mas foi um ano de chuvas, e as previsões de mais calamidade, não se concretizaram, para tranquilidade do Presidente.

Fonte: Revista do Instituto do Ceará “Juízo histórico do Senador Pompeu”
Jaqueline Aragão Cordeiro

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