Os Borós

Imagem: Fortaleza Nobre

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O boró, criação genuinamente cearense, nasceu há muito tempo, quando havia absoluta falta de troco. Eram pequeninos vales que circulavam, atribuindo-lhes o mesmo valor das moedas, e que eram aceitos, como se fossem, na verdade, uma moeda legal. Era uma verdadeira epidemia de boró, qualquer um podia fazê-lo, e surgiam aos montes, de todos os formatos e tamanhos, impressos e escritos a mão, bonitos e feios, coloridos ou de uma só cor, e ensaiaram resolver a difícil questão de troco.

Acredita-se que o nome boró, é uma alusão a um peixinho muito miúdo do sertão, referencia portanto, às pequenas dimensões dos vales circulantes no Ceará.

Os borós que que circulavam com melhor aceitação, foram emitidos pela câmara municipal de Fortaleza em 1896, ainda emitiam borós, a empresa ferro carril do Ceará, empresa ferro carril do Outeiro e a companhia de bondes de Porangaba.

Por ser emitido por qualquer pessoa e em larga escala, muitos não possuíam recursos financeiros para resgatá-los, com isso, veio o descrédito, ninguém mais queria aceitá-lo e consequentemente, tornaram-se extintos.

Tendo sua origem no Ceará, os borós, todavia, foram copiados por outros estados brasileiros, entre os quais: Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Bahia e Minas Gerais, que também os emitiram largamente.

Fonte: Coisas que o tempo levou, Raimundo de Menezes, 2000.
Jaqueline Aragão Cordeiro

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