Cultura do milho no Nordeste

O milho é considerado uma das mais importantes e antigas culturas agrícolas, sendo o primeiro cereal em termos de produção, superando o trigo e o arroz. Trata-se de um produto estratégico para a segurança alimentar da população mundial, sendo utilizado tanto para a nutrição humana quanto para a alimentação animal, principalmente na avicultura, suinocultura e bovinocultura. Além dessas características, esse cereal é cultivado para a extração do bioetanol e é utilizado como insumo em diversos segmentos do setor industrial.

O Brasil (97 milhões de toneladas produzidas em 2017, representando 6,0% do total da safra global) é o terceiro produtor mundial de milho, sendo os dois primeiros os Estados Unidos (387 milhões de toneladas em 2017, 37% do total mundial) e a China (220 milhões de toneladas em 2017, 21,0% da produção mundial).

No Brasil, a produção de milho é voltada essencialmente para o mercado interno (67,2%), sendo utilizado essencialmente para suprir a alimentação de animais. A avicultura e a suinocultura responderam por 25,8% e 13,6% do consumo nacional do grão em 2018, respectivamente (Gráfico 1). Apenas 2,0% da produção de milho é direcionada para o consumo in natura pela população brasileira. Mesmo com essa pequena participação, em algumas regiões o milho é ingrediente básico da culinária, como é o caso do Nordeste brasileiro, onde o cereal é relevante para a população de baixa renda. Vale ressaltar que, cerca de um terço da safa de milho brasileira é exportada.

A produção do milho ocorre nas cinco regiões do Brasil. A liderança destacada cabe ao Centro-Oeste (51,1% da produção nacional em 2017/2018), seguido do Sul (23,8%), Sudeste (13,7%) Nordeste (8,4%), e por último, com pequena participação, o Norte (3,0%).

Estima-se que a produção do milho no Nordeste alcance 6.815,2 mil toneladas em 2017/2018, estando 2,0% maior em comparação com a safra anterior, que foi de 6.681,3 mil toneladas. Isto resulta no incremento de 133,9 mil toneladas. A área plantada passou para 2.668,0 mil hectares, ante 2.602,9 mil hectares obtidos na colheita anterior, representando acréscimo de 2,5%. A produtividade deverá ser 0,5% menor em relação à obtida na safra passada, alcançando 2.554 kg/hectare, em contraste com 2.567 kg/hectare colhidos anteriormente.

Dentre os estados do Nordeste, a estimativa é de crescimento da safra em 2017/2018 em seis Unidades Federativas: Paraíba (+119,4%), com o maior crescimento, acompanhado de Pernambuco (+108,4%), Rio Grande do Norte (+89,2%), Bahia (+15,7%), Alagoas (+13,9%) e Piauí (+7,4%). Por outro lado, três estados deverão apresentar redução em suas respectivas colheitas: Sergipe (-40,3%), Maranhão (-3,5%) e Alagoas (-0,6%).

A Bahia é o maior produtor de milho do Nordeste, com a produção devendo alcançar 2.294,8 mil toneladas na safra 2017/2018. A área semeada diminuirá 5,5%, para 611,2 mil hectares, obtendo-se rendimento de 3.755 kg/hectare. O Maranhão é o segundo produtor desse cereal na Região. A produção esperada é de 1.884,0 mil toneladas em 2017/2018, 3,5% menor em comparação com a safra passada. Deverá ocorrer uma diminuição de 1,7% da área plantada, alcançando 483,4 mil hectares. Vale destacar que o Maranhão é o Estado com a maior produtividade do Nordeste, com 3.897 kg/hectare.

Piauí é o terceiro produtor nordestino, devendo obter incremento da produção de 7,4% em 2017/2018, contabilizando 1.488,8 mil toneladas, enquanto a área de plantação crescerá 4,5%, alcançando 488,5 mil hectares, com produtividade projetada de 3.048 kg/hectare.

Sergipe é o quarto produtor da Região, devendo a produção alcançar 484,9 mil toneladas, redução de 40,3% em comparação com a colheita anterior. A irregularidade das chuvas explica a expressiva queda de produção.Ceará e  especialmente Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Rio Grande do Norte produzem modestas quantidades de milho. Nesses estados, a atividade é basicamente desenvolvida em pequenas propriedades rurais, em geral com reduzidos níveis de tecnificação, utilizando-se mão de obra familiar, características de atividade de subsistência.

Fonte: Aírton Saboya Valente Júnior, Economista, Gerente Executivo, Célula de Estudos e Pesquisas Macroeconômicas, Banco do Nordeste/ETENE. Yago Carvalho Lima, Graduando em Economia, Jovem Aprendiz, Célula de Estudos e Pesquisas
Macroeconômicas, Banco do Nordeste/ETENE.

Jaqueline Aragão Cordeiro

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