Quem é cearense vai entender

Chico, cabra errado e bunequeiro, já melado, depois de traçar um celular e duas meiota, vinha penso, cambaleando, arrodiando o pé-de-pau , quando deu uma topada que arrancou o chaboque do dedo.
– Diabeísso! – Disse Chico todo distrenado e fazendo mungango.
– Vai, cú-de-cana! Mangou a mundiça zuadenta que tava perto.
– Aí dento! Vão se lascar bando de fidumaégua! Num dão nem um prego numa barra de sabão e ficam aí só aperreando os outros.

Chico estava ariado derdi ontonti, quando o gato véi que ele acunhava lá na baxa da égua, bateu fofo com ele pra ir engabelar um galalau estribado da Aldeota.
– É o que dá pelejar com catiroba, fulerage – Pensava ele – Ganhei um chapéu de touro, mas não tem Zé não, aquela marmota tá mesmo só os queixo e a catinga. Dá é gastura. Num quero mais saber de arenga não.

Chegando em casa se empriquitou de vez e rebolou no mato todas as catrevage da letreca: uma alpergata, um gigolete amarelo queimado e uns pé de planta que ela tinha trazido inquanto iam se amancebar. Depois se empanzinou de sarrabui e de baião de dois, imbiocou na rede e foi dormir pensando nas comédias.

Jaqueline Aragão Cordeiro

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