Ruas no centro de Fortaleza exclusiva para pedestres

Rua Guilherme Rocha (1925)

Elas trocaram os congestionamentos, impaciência, estresse e tempo desperdiçado dentro de um veículo, para dar lugar – exclusivamente – à circulação de pessoas. Seis ruas do Centro de Fortaleza abandonaram o tráfego de automóveis, ônibus e bondes na década de 1950: Guilherme Rocha (até a Praça da Lagoinha), Liberato Barroso, Pedro Borges, General Bezerril (apenas um trecho) e Rua do Rosário. Hoje, mais de meio século depois, ainda priorizam os pedestres.

Lá, não se ouvem buzinas e nem se veem filas de carros, apenas centenas de pessoas à procura de mercadorias ou apenas com vontade de passear. Pedestres e comerciantes compartilham da mesma opinião quanto à inexistência de tráfego de carros no local.

Lucas Teixeira não havia nem nascido na época em que a rua Liberato Barroso tinha circulação de veículos liberada. Aos 23 anos, o proprietário de comércio de tecidos e aviamentos conta que a movimentação de pedestres na via é positiva. “É melhor para o meu comércio por causa da movimentação, já que muita gente passeia por aqui, sem compromisso, então tem mais tempo para escolher o que comprar”, diz.

Na medida em que passam as horas, o trânsito de fortalezenses nas ruas aumenta e dá lugar à confusão e gritaria, típicas do Centro. Maria do Carmo Santiago, de 74 anos, gosta de passear, principalmente nas ruas exclusivas para pedestres. Ela aponta, no entanto, o descaso da Prefeitura de Fortaleza em melhorar as calçadas, afirmando que um dia chegou a cair em razão de um buraco.

Vendedores nascidos na década de 1990 dizem, inclusive, que as ruas são históricas e, por isso, precisam ser planejadas. Como é o caso de Pedro Gregório, de 24 anos, vendedor de lanches na rua Guilherme Rocha. “Muitos turistas param aqui, a pé, e ficam olhando para os prédios históricos. Isso já mostra o quanto essa alteração de tráfego foi positiva. Dá mais tempo para admirar”.

As ruas realmente têm história, com mudanças de nomes e de tráfego. “Antes passavam carros, ônibus e bondes. Agora não tem mais nada disso”, relembra o memorialista Miguel Ângelo de Azevedo, conhecido como Nirez.

Em Fortaleza, a primeira rua em que foi proibida a passagem de carros foi a Guilherme Rocha, durante a gestão do prefeito Acrísio Moreira da Rocha. Ela já se chamou Travessa Municipal, rua Municipal, rua Nº 9, rua 24 de Janeiro e rua Coronel Guilherme Rocha. Tentaram ainda, intitulá-la rua do Ouvidor, primeira via brasileira fechada para circulação de carro, no Rio de Janeiro.

“Houve uma tentativa, inclusive, de mudar o nome da Guilherme Rocha para Ouvidor, mas não deu certo. Sempre é assim, faz uma coisa em uma cidade grande e querem sempre copiar”.

O memorialista também acredita que a falta de circulação de carros é interessante para pedestres, apesar de competirem com carros de som dos vendedores ambulantes. “Elas têm grande movimento de pessoas, mas também de ambulantes e comerciantes. São repletas de buracos, água e sujeira. Isso ainda acontece porque não existe fiscalização”.

Copiando o modelo das seis ruas do Centro da cidade, a Autarquia Municipal de Trânsito (AMC) propõe que outras vias do Centro sejam fechadas e apropriadas somente para a movimentação de pedestres e de transporte coletivo. Os nomes das vias que podem ser destinadas apenas para pedestres ainda não foram definidos pela AMC.

Fonte: Jornal Tribuna do Ceará
Jaqueline Aragão Cordeiro

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