A inquisição no Ceará – O Ceará do Santo oficio

Inquisição chega ao Ceará na primeira metade do século XVII quando o então Ceará Grande pertencia à capitania de Pernambuco. Inóspita e desconhecida, a região era pouco explorada pelos colonizadores, mesmo tendo pertencido ao Maranhão anteriormente. As primeiras denúncias coincidem com a ocupação do território através da pecuária explorada ao curso dos rios.

A dificuldade enfrentada pelo Ceará no século XVII é atestada por documento microfilmado na Torre do Tombo, datado de 1816, quando o terceiro governador do Ceará, Luís Barba Alardo de Meneses, faz referência ao começo da capitania. Ele diz: “Pode-se seguramente afirmar que até esse tempo era desconhecida e considerada como árida e estéril e por isso não teve nunca donatário…“.

A criação do gado seguindo o caminho das águas Interior adentro, porém, produz fenômeno diferenciado de ocupação territorial na capitania cearense. Se núcleos urbanos surgidos no litoral mantiveram a posição hegemônica em outras regiões, como Salvador, Recife e Rio de Janeiro, no Ceará se deu o contrário.

Os primeiros povoamentos a alcançarem relevância econômica surgiram no Interior, como consequência da migração advinda da Bahia, de Pernambuco e da Paraíba. Elementos aglutinadores dessa ocupação, as fazendas de gado surgem às margens dos rios Jaguaribe e Acaraú, como responsáveis pela formação dos primeiros núcleos de povoação, nascendo daí as cidades de Icó, Aracati e Sobral.

O Ceará pertenceu à capitania de Pernambuco até 1799. Com a independência, já em meados do século XVIII, a pecuária consolida-se como a primeira atividade de importância para o Estado, a partir da produção da carne seca. Por essa época as vilas de Icó e Aracati se destacam como polos econômicos.

Mas apesar do progresso verificado, a situação da capitania ainda era muito pobre. Em descrição sobre o ano de 1814, o naturalista João da Silva Feijó, afirma: “à vista do que se há expendido até aqui, he para admirar o atrazamento em que tem estado esta capitania, apesar de ser povoada a mais de duzentos annos; com tudo, como se vê, ha grandes recursos e meios infinitos de se prosperar, e fazer rapidos progressos….“.

Feijó, sargento-mor, e encarregado de investigações filosóficas na capitania, bem como Luís Barba, ignoram a Inquisição em suas observações quase um século depois da primeira denúncia.

Acompanhe matéria publicada no Jornal O povo em 23 de maio de 2010.
Jaqueline Aragão Cordeiro

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