Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto (1)

Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto é um grupo folclórico e musical da cidade do Crato, interior do Ceará.

O grupo foi fundado no século XIX por José Lourenço da Silva, mais conhecido como “Aniceto”, daí o nome do grupo. José Lourenço faleceu aos 104 anos, e acompanhou a banda até os 99 anos, daí o novo apelido; “véi Aniceto”. A ideia de formar a banda foi para que tocar nas festas religiosas do Crato, depois evoluíram para as festas dos padroeiros de Barbalha, Juazeiro, e assim por diante. A medida que um membro ia morrendo, o “véi” Aniceto o substituía por algum outro membro da família.

A denominação cabaçal decorre do fato que antigamente os tambores eram confeccionados de pele de bode estirada sobre cabaças. Outra versão diz que o nome vem um ritual dos índios Cariris, onde tocavam pífanos e queimavam Jurema-preta nas cabaças. Todos os instrumentos usados pela banda, com exceção dos pratos, são de fabricação caseira, também aprendida com o “véi” Aniceto. Os pífanos, instrumentos líderes no ritmo da cabaçal, são conseguidos através de uma taboca, a taboca boi, encontrada em abundância nas matas do Araripe.

Mas houve um fato histórico responsável pelo primeiro impulso tomado pela banda até sua crescente popularização. Era 1953, grande festa para comemorar o centenário da cidade do Crato. A Prefeitura organiza as comemorações em praça pública: quermesse, apresentações folclóricas e diversão para todos. Eram muitas as apresentações de arte popular típicas da região e, obviamente, não poderia deixar de subir ao palco da festa uma banda cabaçal.

Os irmãos Aniceto, na época uma banda estritamente religiosa, foram convidados a apresentar a arte da zabumba. Foram ovacionados por todos os presentes! A partir daí foram chamados para várias apresentações em Fortaleza, ainda nos anos 50, e em pouco tempo estavam viajando de avião para as terras mais distantes desse Brasil. Com tantos compromissos profissionais surgindo, precisavam de alguém que os acompanhasse, e a partir de 1953, J. de Figueiredo Filho cumpriu essa missão até 1968, quando não podendo mais acompanhá-los, transferiu a missão para Elói Teles. A primeira grande viagem foi em 1962 para Porto Alegre (RS) para se apresentarem na inauguração da TV Guaíba.

No Crato, receberam a carteira de músicos da prefeitura, papel que lhes dava o direito de receber mensalmente um salário mínimo, dinheiro esse muito valorizado, pois a vida de agricultor era muito difícil.

Em 1998 venceram o “Prêmio Dragão do Mar de Arte e Cultura” promovido pela Secretaria de Cultura do Estado do Ceará. Já lançaram três álbuns: o primeiro em 1978, patrocinado pelo Ministério da Educação e Cultura; o segundo em 1999, produzido pela Cariri Discos em parceria com a Equatorial Produções; e o último em 2004, intitulado Forró no Cariri, tendo como produtores as mesmas empresas do álbum anterior. Já tocaram ao lado de Hermeto Paschoal, Quinteto Violado, Luiz Gonzaga e outros grandes criadores da música popular brasileira.

O grupo já percorreu quase todos os estados brasileiros, além de ir duas vezes à França e Portugal e por último, fizeram uma apresentação na Turquia. As músicas são autorais, mas há também algumas homenagens durante os shows. O figurino, também é feito por eles. A banda foi iniciada em 1815 com os índios kariri e em 2015 completou 200 anos.

Irmãos Aniceto Mirim – Formada pelos bisnetos do fundador, faz poucas apresentações em público. Estão sendo preparados para suceder a formação atual.

Raimundo José da Silva (Mestre Raimundo Aniceto), filho do “véi” Aniceto, foi nomeado em 2004, mestre da cultura do Estado do ceará.

Leia mais no Jornal Diário do Nordeste / Irmão Aniceto (Pablo Assumpção) – Edições Demócrito Rocha
Jaqueline Aragão Cordeiro

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