Baturité

Igreja Matriz

Baturité é um município localizado do Norte Cearense. Sua população estimada no último censo é de 32.968 habitantes que representa cerca de 0,38% da população do estado.

O topônimo Baturité apresenta várias hipóteses etimológicas:
– Para Paulino Nogueira, este vem do decomposto do Tupi BU (sair, rebentar, sair da fonte), TY (água) e ETE (boa) e significa sair água boa, uma alusão às inúmeras fontes de água cristalina que jorram da serra; ou uma corrutela do IBI (terra), TIRA (alta), ETÉ e significa serra;
– Para José de Alencar, este vem de Baturieté (narceja: uma ave ilustre), que composta por Batuira e Eté, nome que honra o chefe Potyguara e na linguagem figurada significa valente nadador;
– Para Von Martius vem da corruptela de Epo (por ventura) e ITA-ETË (aço) que significa certo aço;
– Para Pedro Catão, vem de Batu (monte serra) e Ete (desinencia superlativa) e significa verdadeira serra, serra por excelência;
– Antônio Martins Filho e Raimundo Girão diferenciam-se da versão de Paulino Nogueira apenas nos termos Tira, que seria Itira ou Atira (o monte, o monte), pois na análise fonética YBY, Y representa-se por I ou U, o que resultou para os portugueses IBI ou UBU e de ATYRA resultou ATURA. Compondo ficou IBATURA, BATURA com a queda da vogal inicial átona, fenômeno muito comum na acomodação portuguesa do Tupi. Desta forma BATURA (montão, monte de terra ou serra) e os índios juntaram o sufixo ETÉ (principal, a verdadeira ou real) e ficou BATUETÉ (serra verdadeira ou real). Para estes, a expressão Serra de Baturité é pleonástica, pois Baturité já significa serra. Suas denominações originais eram Aldeias das Missões, Missão de Nossa Senhora da Palma, Palmas, depois Vila Real Monte-Mor o Novo da América e, desde 1858, Baturité.

“Monumento comemorativo ao 1º centenário da independência do Brazil erecto pela municipalidade no local do pelourinho da Villa”

Região era habitada por diversas etnias como os Potyguara, Jenipapo, Kanyndé, Choró e Quesito, recebeu a partir do século XVII diversas expedições militares e religiosas. Com a expulsão dos holandeses, a coroa portuguesa iniciou o processo de ocupação definitiva das terras cearenses que intensificou-se através da ocupação missionária pelos Jesuítas, a doação de sesmarias, busca de metais preciosos e a implantação da pecuária do Ceará. Em 1755, Baturité, ou melhor, Missão de Nossa Senhora da Palma, surge neste contexto como uma missão tendo como finalidade aldear os índios da região. Em 1759, com a expulsão dos Jesuítas, a missão foi elevada a condição de Vila com o nome de Monte-Mor o Novo d’América. Em 1791, nesta vila foi reunido aos Jenipapo  Kanindé, um contingente de índios oriundos de missões em conflitos, como: os Jucá da Vila de São Mateus, os Paiacu da Vila de Monte-Mor-o-Velho e da Vila de Portalegre.

Por causa do clima ameno e da água em abundância, Baturité e outros municípios vizinhos serviram de refúgio para populações sertanejas de cidades como Canindé e Quixadá, que ali se abrigaram durante a Seca dos Três Setes (1777 a 1793). Um marco da presença católica no município é o grupo de igrejas, conventos e mosteiros que ainda resistem ao tempo e alguns deles convertidos em hospedarias nos dias atuais.

Em 1824, Manoel Felipe Castelo Branco trouxe do Pará para Baturité, mudas de café, fato que trouxe transformações na atividade econômica e vida social local.

Estação Ferroviária

Na metade do século XIX, Baturité tinha como principal atividade econômica a cultura do café, chegando na época a deter 2% de toda a produção brasileira. Há relatos de que o café de Baturité era um dos mais apreciados nas cafeterias francesas. Com o crescimento da cultura do café, surge a necessidade de uma via mais rápida de escoamento da produção para o porto de Fortaleza, que era feita através das precárias estradas da época. Neste contexto, em 1870, um grupo de comerciantes lança a proposta de construir a primeira ferrovia no estado, constituindo juridicamente a Estrada de Ferro de Baturité e um porto em Fortaleza. Em 1882, é inaugurada a estação ferroviária de Baturité, pela qual o café foi transportado diretamente ao Porto de Fortaleza. Em 1921, com a expansão da estrada de ferro, Baturité recebe mais uma estação ferroviária, mais precisamente no povoado do Açudinho (hoje Alfredo Dutra).

Mosteiro dos jesuitas
Mosteiro dos jesuítas

A cultura do café, entre 1870 até a superprodução e a super  oferta de 1929, impulsiona a economia e a vida social de Baturité, bem com a modernização da cidade. A partir do início do século XX, Baturité vivenciou fortemente o movimento religioso da Ação Católica, principalmente com o vigário local Monsenhor Manoel Cândido e seu pupilo Ananias Arruda. Desse movimento católico surgiram vários prédios religiosos na cidade como:
– O Colégio Nossa Senhora Auxiliadora (1934)
– O Colégio Salesiano Domingos Sávio (1932);
– O Círculo Operário Católico de Baturité (1924);
– A Escola Apostólica dos Jesuítas (1927)
– Em 1882 é inaugurada a Estação de Baturité da Estrada de Ferro de Baturité;
– A Central de Abastecimento de Água de Baturité pela firma Catão e Pinto – realização do Major Pedro Catão e do Cel. José Pinto do Carmo (30 de março de 1917);
– O serviço de luz elétrica de Baturité (2 de junho de 1918), realização de Horácio Dutra. Em 1921 esta empresa foi transferida para o Cel. José Pinto do Carmo.

Em 1896 nasceu o Major Antônio Couto Pereira que, ainda jovem, foi morar com alguns familiares em Curitiba e em 1916 filiou-se ao clube de futebol Coritiba. Em 1926 foi presidente do clube pela primeira vez. O nome do estádio do time é em homenagem ao ilustre Antônio Couto Pereira. Ele é tio-avô do técnico em edificações e historiador cearense Gustavo Braga.

Suas ruas só ganharam pavimentação a partir de 1932, na administração do Capitão Ózimo de Alencar. Ainda assim, contou com um atuante movimento urbano nas décadas de 1920 e 1930.

Fonte: Wikipédia
Fotos: Arquivo pessoal
Jaqueline Aragão Cordeiro

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One Reply to “Baturité”

  1. Bom dia, casualmente encontrei essa página, sou cearense descendente dos ‘FURTADO” DE BATURITE” E” BEZERRA DE MENEZES ” DO RIACHO DO SANGUE” MEU AVÔ VASCO FURTADO FOI CASADO COM ALEXANDRINA CORDEIRO DA CRUZ DE CANINDÉ.MEU AVÔ PATERNO FRANCISCO ASSIS BEZERRA DE MENEZES, CASADO COM MARIA CRISTINA SARAIVA LEÃO BEZERRA DE MENEZES. CONHEÇO MUITAS CIDADES DO CEARÁ, AS COM FOTOS ACIMA TAMBÉM.NA MINHA OPINIÃO DEVEMOS CONHECER O NOSSO ESTADO NATAL. O BRASIL CONHEÇO DO AMAZONAS AO RIO G.DO SUL, INCLUÍNDO A FOZ , ESTIVE NA ARGENTINA OBSERVANDO DE LÁ. MINAS GERAIS, É O ESTADO QUE CONHEÇO MAIS CIDADES.O BRASIL É RICO EM BELEZAS NATURAIS, ESTIVE NAS GRUTAS DE UBAJARA CE E MAQUINÉ MG. EM SÃO LOURENÇO-MG, APROVEITANDO AS ÁGUAS MEDICINAIS,O MESMO NO BREJO DAS FREIRAS-PB E NA POUSADA DO RIO QUENTE GO. FUI DUAS VEZES EM ” CAMPOS DO JORDÃO SP .PRETENDO LOGO MAIS CONHECER: ALAGOAS, SERGIPE E O ESPÍRITO SANTO. NO RIO DE JANEIRO PASSAVA AS FÉRIAS CONHEÇO TODO O LITORAL ATÉ CABO FRIO. AS CIDADES SERRANAS, PETROPÓLIS, FRIBURGO.AS ILHAS DE PAQUETÁ, O RIO CONTINUA SENDO UMA DAS 7 MARAVILHAS DO MUNDO.

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