Rendeiras da Prainha – Aquiráz

CENTRO DAS RENDEIRAS – RUA DES. PÉRICLES RIBEIRO
BARRACAS ARMADAS NO CENTRO DAS RENDEIRAS

Em 1979, durante o governo de Virgílio Távora, através do PNDA (Programa nacional do desenvolvimento do artesanato) foi doado um terreno para as rendeiras, e através da FUNSESCE (Fundação dos Serviços Sociais do Estado do Ceará), extinta em 1997, foi criado o “Centro Artesanal da Prainha”, com o objetivo de valorizar o artesanato local, melhorar a renda das artesãs, diminuir a atuação do atravessador e ampliar o mercado. O centro contava inicialmente com cem associadas, atualmente são setenta, e dessas, trinta e cinco fazem a legítima renda de bilro na almofada.

BARRACA AO LADO DO RESTAURANTE “O LEÔNCIO”
D. MARIA HENRIQUE, 70 ANOS, RENDEIRA

Em 2008, a prefeitura de Aquiraz demoliu o velho centro, localizado na rua Desembargador Péricles Ribeiro, com a promessa de construir um novo. As rendeiras foram deslocadas para uma barraca ao lado do restaurante “O Leôncio”.  A partir daí, iniciou-se um impasse entre prefeitura a associação, pois as rendeiras achavam o local inapropriado para a acomodação de todas. Foram então transferidas para o prédio do antigo “Hotel Solar”, sendo que algumas optaram permanecer na antiga instalação.

ANTIGO HOTEL SOLAR
ANTIGO HOTEL SOLAR
Em 2011 o novo centro ainda não havia sido construído e diante de rumores da desapropriação do terreno para a construção de uma praça, as rendeiras voltaram ao local e armaram pequenas barracas feitas de madeira e plástico, com medo de perderem seu espaço. Atualmente as dependências estão melhores e acomodam duas rendeiras em cada uma, somando dezoito nesse local. As demais estão divididas ao lado do restaurante “O Leôncio” e no antigo “Hotel Solar”. O que seria o novo Centro das Rendeiras da Prainha, conta  apenas com a primeira etapa do projeto concluída, onde tem banheiros, uma sala que é a sede da associação e outra sala que é cozinha e depósito improvisado.
TRABALHOS FEITOS PELAS RENDEIRAS

O descontentamento da rendeiras com a atual situação é notório. Personagens importantes da nossa cultura, encontram-se alojadas praticamente ao relento e sem ajuda externa, as bravas mulheres lutam para não deixar desaparecer essa riqueza cultural que herdaram sua suas mães e avós. As rendeiras da prainha fazem parte da história  do Ceará, graças a beleza da renda e trabalhos artesanais que produzem.

A RENDEIRA D. BRANCA NO ANTIGO HOTEL SOLAR
D. IRACILDA ENQUANTO CONVERSÁVAMOS

A associação é presidida por Cleide dos Santos, tem como secretária a sra. Olenir e como tesoureira a sra. Iracilda, com quem conversei pessoalmente. As rendeiras da Prainha já participaram do “Dragão Fashion” e do “São Paulo Fashion Week” em 2011. A CEART (Centro de Artesanato do Ceará) colabora com as rendeiras oferecendo cursos, essa é a única parceria que têm.

Veja Site oficial
Fotos: Arquivo pessoal
Jaqueline Aragão Cordeiro

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