Sociedade Cearense Libertadora

Em pé: Isaac Correia do Amaral, Papi Junior, William Ayres, Abel Garcia, João Cordeiro, Antonio Bezerra de Menezes, Francisco José do Nascimento(Dragão do Mar), Alfredo Salgado – Sentados: Manoel de Oliveira Paiva, João Lopes Ferreira Filho, José Correia do Amaral e Antonio Dias Martins

Fundada em 8 de dezembro de 1880, a Sociedade Cearense Libertadora lutava pela libertação dos escravos na província do Ceará. Contava com 225 sócios, dentre eles: José Correia do Amaral, Frederico Borges, José Marrocos, Isaac Amaral, Francisco do Nascimento, Alfredo Salgado, Carlos de Alencar, Justiniano Serpa, Cruz Saldanha, José Albano, Felipe Sampaio e Antonio Martins, o presidente provisório foi João Cordeiro. Para divulgar seus ideais, em 1881, fundaram o Jornal O Libertador, que começou a circular em 1º. de janeiro, e teve como redatores: José Joaquim Teles Marrocos, Antônio Bezerra de Menezes e Antônio Martins; circulou até 9 de abril de 1892.

A sociedade contava com duas alas, os “Radicais”, que desejavam a luta aberta e os “Moderados” que desejavam trabalhar à sombra da lei. João Cordeiro estava insatisfeito com os problemas na elaboração do estatuto. Num domingo, ao meio-dia, entrou na antiga Bolsa de Comércio, na praça José de Alencar. Havia uns vinte sócios, e Cordeiro convocou-os a uma sala ao lado, que batizara de Sala de Aço. Ao centro havia uma grande mesa ladeada por vinte cadeiras, coberta por uma toalha negra e com duas lanternas nas extremidades.

Os homens, estremecidos, curiosos, sentaram-se e Cordeiro acendeu as lanternas. Pôs-se à cabeceira, e tirou da cava do colete um punhal, atirando-o com força no meio da mesa. O punhal cravou-se na toalha, oscilando dramaticamente ao cintilar das chamas. João Cordeiro exigiu que todos jurassem uma luta de matar ou morrer, em bem da abolição dos escravos. A briga seria ferrenha. Quem não jurasse, saísse. Saíram onze, irritado, dirigiu-se a Bezerra de Menezes, que secretariava a reunião e ditou o seguinte: “Artigo primeiro: Um por todos e todos por um; A sociedade libertará escravos por todos os meios ao seu alcance; Para não ser traída a correspondência, cada um toma um psedônimo; É sugerida a necessidade de uma escrita especial entendida somente pelos consórcios, uma espécie de código secreto.”

Nos dias 27, 30 e 31 de janeiro de 1881, aconteceu a primeira greve nos navios que transportavam escravos, encabeçada por José Luís Napoleão, negro que comprou a própria alforria.

O Congresso Abolicionista, realizado em Maranguape, no dia 26 de maio de 1881, sensibilizou o jangadeiro Chico da Matilde, que associou-se ao grupo, sensibilizado com a causa pela libertação dos escravos.

No do dia 30 de agosto de 1881, aconteceu a segunda greve, organizada pela Sociedade cearense libertadora, tendo a frente, Chico da Matilde, o Dragão do Mar. Seguido pelos demais jangadeiros que gritavam: “No porto do Ceará não se embarcam mais escravos!”.

O prestígio dos abolicionistas cearenses cresceu a ponto de receberem a visita de José do Patrocínio, um dos líderes do movimento no Rio de Janeiro, em 30 de novembro de 1882.

A luta pela libertação dos escravos era uma realidade antiga na província, em 1879 surge a agremiação “Perseverança e Porvir”. Outras agremiações se empenharam no mesmo propósito, como o “Centro Abolicionista” fundado em 1883 e o grupo das “Cearenses Libertadoras” em 1884. Nas palavras de Joaquim Nabuco, “a emancipação do Ceará foi o acontecimento decisivo para a causa abolicionista”.

Fonte: Site do Centro Dragão do Mar / Jornal Diário do Nordeste / Jornal O Povo
Jaqueline Aragão Cordeiro

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