As minas de salitre do Ceará

O fracasso pela busca de ouro e prata no Ceará, levou a uma nova investida, a busca por salitre (nitrato de potássio) usado na fabricação de pólvora.

Em 1799, o governador Bernardo Manuel de Vasconcelos trouxe de Lisboa o naturalista João da Silva Feijó, com o objetivo de estudar a geografia da região, de modo particular, as nitreiras de que tinham roteiro. O salitre tinha grande importância por ser insubstituível na fabricação de pólvora, então, grande foi o interesse de Portugal em extraí-lo de suas colônias, pois até então, exportava da Índia.

Por muitos anos Feijó fez estudos em Tatajuba, então município de Santa Quitéria, hoje Quixeramobim, depois em Ibeaçú, em Granja e depois em Pindoba, na serra da Ibiapaba.

Em 1801 haviam sido produzidos 1997 quilos de salitre. No ano seguinte extraíram apenas 1248 quilos, sendo que o custo dessa operação superava o preço pago pelo salitre comprado na índia, bem como o extraído nas Minas Gerais. O insucesso inicial dessas nitreiras foi duramente criticado pelo Deputado Targine, em representação enviada ao Príncipe-Regente, na qual pedia que mandasse suspender a extração de salitre na capitania do Ceará.

Ainda em 1824, em ofício de 17 de maio, o governador João Carlos d’Oeynhausen explicava para a metrópole, que a extração e remessa de nitrato só poderiam continuar se as pesquisas passassem a ser feitas não mais em Tatajuba, dadas a degradação da mina, a grande distância até o porto e as dificuldades de transporte, que causavam prejuízo, mas sim em nas vizinhanças de Granja, onde dizia haverem sete minas ricas e virgens a 29 léguas do porto e em local de fácil transporte para carretas.

Fracassaram as pesquisas em Iboaçú e em Pindoba, sendo encerradas em 1805, por ordem da Junta de Fazenda, a busca de salitre no Ceará.

Fonte: Evolução histórica cearense, Raimundo Girão, 1986
Jaqueline Aragão Cordeiro

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