Espedito Seleiro, o mestre do couro

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Espedito Velozo de Carvalho, o Espedito Seleiro, é de Nova Olinda, e hoje aos 74 anos é ícone no fabrico de couro colorido.

Seu bisavô Antônio, seu avô Gonçalves, seu pai Raimundo, eram todos seleiros, produziam selas, gibões, perneiras, e Espedito seguiu os passos dos antepassados, quando seu pai faleceu em 1971, e se viu na obrigação de sustentar os irmãos mais novos.

Raimundo Veloso, seu pai, foi o criador das sandálias “quadradas” usadas por Lampião. Certa noite, ele trabalhava na escuridão do alpendre, quando surgiu uma pessoa e lhe encomendou uma sandália de solado quadrado. Raimundo aceitou a encomenda e o cliente avisou que retornaria em 29 dias para pegar a encomenda. Ao retornar, Raimundo soube que a sandália era para Lampião, o rei do cangaço, e o objetivo do solado quadrado era não dar pistas do rastro.

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Em 1980, Alemberg Quindins, diretor da Fundação Casagrande, premiada organização educativa de Nova Olinda, entrou na oficina de Espedito com a sandália que foi usada por Lampião e estava na exposição sobre o cangaço, na Fundação, e perguntou se este poderia reproduzir o modelo, Espedito logo lembrou da história contada por seu pai e mesmo nunca tendo feito sandálias antes, fez uma mais bonita, pois “era mais caprichoso”.

A situação financeira melhorou, mas as vendas não deslancharam pois sandálias de couro cru já existiam aos montes nos mercados e os comerciantes só aceitavam comprá-las por um valor ínfimo. Desgostoso com o trabalho, ele resolveu que não venderia mais peças iguais a dos outros e foi dormir pensando em uma solução. Ao acordar, decidiu que daquele dia em diante, só faria sandálias coloridas. Costurou um monte de sandálias e levou na loja do “Seu Pedro”, que sequer olhou as peças, mandou deixar num canto e lhe daria o dinheiro do que vendesse. Na semana seguinte Espedito voltou à loja para buscar as sandálias, mas para sua surpresa, todas haviam sido vendidas e o comerciante ainda encomendou mais 50 pares.

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Alemberg divulgava o trabalho de Espedito, usando suas sandálias nas entrevistas que dava, e com o aumento da demanda, resolveu diversificar, começou a fazer as sandálias da Maria Bonita, um modelo mais delicado, bem como bolsas, caldeiras, molduras para espelhos e até luminárias, tudo de couro colorido, que passou a ser sua marca registrada. Outra grande divulgadora de sua arte foi a professora Violeta Arraes, já falecida, ex-reitora da Universidade Regional do Cariri (URCA), uma grande amiga que além de cliente, levava artistas até lá e ainda exigia que o amigo se organizasse mais.

Em 2006 foi convidado para fazer os calçados que a grife Cavalera usou no desfile de verão do São Paulo Fashion Week e causou burburinho no mundo da moda. É também referência para os figurinistas de novelas e filmes sobre o cangaço.

É durante a noite que o mestre gosta mais de trabalhar, ele diz que no silencio da noite produz muito mais.

Hoje, a família trabalha reunida em uma associação com 22 pessoas que produzem entre 200 e 300 pares de sandálias por mês e ao lado da oficina, tem uma lojinha com todas as suas obras que tem de sandália , selas, baús, a cadeiras, tudo feito em couro.

Fonte: onordeste.com

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