João André Teixeira Mendes, o Canela Preta

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Canela Preta – Imagem: altinoafonso.com

João André Teixeira Mendes, o Canela Preta, nasceu no dia 17 de março de 1781, na Vila de Icó, e faleceu com 93 anos, em Icó. Casou-se no dia 06/07/1803, na Capela do Rosário na Vila do Icó, com a sua prima Maria Demétria do Coração de Jesus. João André Teixeira Mendes pertenceu ao Partido Conservador, ligado a Joaquim Pinto Madeira até 1831. Foi um perseguidor implacável da família Alencar e seus maiores inimigos foram os Cavalcante, a quem matou muitos membros da família.

Em 1823 é criado o partido patriota do Icó, uma minoria na luta contra os portugueses e formado, na maior parte, por rapazes que tinham grande aversão a João André. Em passagem pelo Icó, Figueira e Tristão Gonçalves, tiveram a infelicidade de nomeá-lo Comandante Geral da Vila do Icó.

Canela Preta se achava dono da Vila, e assim, mandava e desmandava. Passou a andar com jagunços e criou a sua própria lei. Pra começar, mandou prender o Capitão Mor de ordenanças do Icó, o advogado, Joaquim Fernando Moura, acusando-o de ter conspirado contra a República. Joaquim Fernando foi remetido a capital, mas conseguiu fugir, passado algum tempo, volta para vila do Icó e é assassinado pelos jagunços do Canela Preta.

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Foto: altinoafonso.com

Depois de uma afronta feita a Thomaz de Aquino Pinto Madeira, grande amigo de Antônio Vieira do Lago Cavalcante de Albuquerque, Canela Preta colocou-se na posição de inimigo de Antônio Cavalcante, e deste, levou uma surra que o deixou em recuperação por meses. A partir de então, a intriga entre eles resultou na morte do Velho Francisco Cavalcante e de mais inúmeros amigos, aliados e familiares dos Cavalcante.

Em seguida, Canela Preta rompe com os Alencar e passa a ser também um perseguidor implacável desta família. Na criação do governo provisório do Icó, foi nomeado comandante das armas. Canela Preta como oficial era cruel e implacável, não respeitava ninguém. Era uma verdadeira maquina de matar!

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Sobrado do Canela Preta – Hoje, no local, funciona o centro de artesanato de Icó

No auge da luta travada em consequência “Confederação do Equador”, seus jagunços invadiam as casas dos patriotas e matavam a todos que encontravam pela frente, sem distinção. Um dos crimes mais bárbaros cometidos por ele, e que chocou a todos na época, foi o assassinato do juiz do povoado de Telha, hoje Iguatu, o juiz José Cavalcante de Luna, que foi assassinado pelos jagunços e seu corpo arrastado ate a vila do Icó. Essa morte causou terror em todos. Ninguém se atreveu a resgatar o corpo, porque os assassinos do Canela Preta estavam em maior numero e armados. Nem mesmo as autoridades, se atreveram a comunicar esse crime ao presidente da província com receio que o Canela Preta soubesse.

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Sobrado do Canela Preta – Hoje, no local, funciona o centro de artesanato de Icó

O outro crime bárbaro cometido por ele foi o do português Manoel Francisco, que foi castrado no meio da rua na frente da sua esposa e familiares. O velho Manuel gritava, mas ninguém se atreveu a socorrê-lo, nem um curandeiro ou farmacêutico foi medicá-lo, com medo de ser morto, e o português agonizou até perder a sua ultima gota de sangue e morrer. Esse crime causou a revolta de Pinto Madeira que veio a derrubar o poder do Canela Preta.

A notícia desse crime chega a capital justamente no dia da posse do governo Alencar, e o primeiro ato do governador, é mandar prender Canela Preta. Nessa missão, envia o capitão João Pereira da Silva, o “Cara Preta”.

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Sobrado do Canela Preta – Hoje, no local, funciona o centro de artesanato de Icó

O primeiro julgamento de Canela Preta aconteceu no dia 19/12/1834, em São Mateus, Jucás, e foi condenado a pena de morte. Porém, veio em seu socorro o Capitão Mor Gonçalo Batista Vieira, que faz sustar a sentença e apela ao júri da Capital da Província. A caminho da capital sofre uma emboscada mais consegue se salvar e é mandado de volta ao Icó, onde é feito um novo julgamento e é mantida a pena de morte.

Novamente aparece outro socorro e a sentença é novamente suspensa. Um novo julgamento é feito na capital da Província. Nesse julgamento é condenado a 20 anos de prisão no Amazonas. Depois de cumprir a sua pena volta ao Icó, onde inicia novas inimizades, agora, com as pessoas que compraram suas propriedades. Faleceu em 1874, com quase cem anos de idade, e até o dia de sua morte, nunca deixou de promover continuas brigas.

Fonte: altinoafonso.com / Ceará, homens e fatos (João Brígido)

Jaqueline Aragão Cordeiro

2 Replies to “João André Teixeira Mendes, o Canela Preta”

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