O Jumento, nosso irmão, de São José dos Mocós

Já dizia o Padre Vieira, que o jumento é nosso irmão. Com esse pensamento, o padre lutou muito anos pela proteção do bichinho, fundando o “Clube mundial do jumento”.

Era o animal da luta diária do nordestino, acostumado a labuta, muitas vezes sem a menor compaixão do seu dono.

Os apelidos mais extravagantes ficaram por conta do rei do baião Luiz Gonzaga, na música “apologia ao jumento”: Babau, Gangão, Breguesso, Fofarkichão, e por aí vai…

Quem teve uma infância no interior, pegando fruta no pé, tomando banho de açude e de riacho ou na chuva, sabe quão forte era a presença do jumento na rotina das casas e das pessoas, para trazer a água do cacimbão, a forragem para o gado, a lenha para o fogão e até para as brincadeiras da criançada.

Minha infância foi assim, marcada por aventuras e travessuras, e pela presença constante do jumento e seus nomes nada convencionais. Em conversa com a “parentada”, surgiu o assunto dos nomes e essas recordações trouxeram à tona a nostalgia dos companheiros da lida diária.

Em São José dos Mocós, todas as famílias tinham o seu bichinho, e os nomes que lhe davam não podiam ser mais singulares:

João Ximenes tinha o Ambrósio, o Zé Fernandes, o Psilone e a Minhoca
Gregório tinha o Pompom
Luis Caboclinho tinha o Boca Preta e o Cambito
Gonçalo Mano tinha o Lata, o Mamona, o Roxão, o Venâncio e o Rabo Torto
José Mocó tinha o Tronco, o Prego, o Piaba e o Saia Justa
Joaquim Facundo tinha o Pernudo e o Pulunaro
João Martins tinha o Bico
Nenem Facundo tinha o Canapum
João Facundo tinha o Pelado, o Preto e o Tetéu
Juvencio Ximenes tinha o Cutibira
Zé Preá tinha o Berruga e o Café
Cícero tinha o Orelha Baixa

Jaqueline Aragão Cordeiro

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