Favela ou Mandioca-Brava

planta favela

Cnidoscolus quercifolius (sin. C. phyllacanthus. Anteriormente conhecida como Jatropha phyllacantha Müll.Arg.), popularmente chamada de favela, faveleira, faveleiro ou mandioca-brava, é uma planta da família das euforbiáceas. É endêmica do Brasil. A sua gama de distribuição inclui os estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe, Bahia, Pernambuco, Piauí e São Paulo.

É a planta que deu origem ao termo “favela”, por ocasião da Guerra de Canudos. É um arbusto. Possui flores brancas, dispostas em cimeiras. O fruto é uma cápsula que contém sementes oleaginosas, semelhantes às sementes de fava. Daí, os nomes “favela”, “faveleiro” e “faveleira”.

Publicado em 1902, “Os sertões”, de Euclides da Cunha, sobre a guerra de Canudos (1896-1897), descreve a região do sertão baiano em que tinham se assentado os fiéis do beato Antônio Conselheiro falando de uma “elítica curva fechada ao sul por um morro, o da Favela, em torno de larga planura ondeante onde se erigia o arraial de Canudos…”. O nome do morro, explica o autor, devia-se a uma planta comum por ali, as favelas, “anônimas ainda na ciência – ignoradas dos sábios, conhecidas demais pelos tabaréus…”.

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Semente

Segundo o Houaiss, o primeiro registro escrito da nova acepção, ainda como nome próprio, apareceu na revista semanal carioca “Careta” em 1909. Desde então o termo virou substantivo comum e – como as próprias favelas – passou a ocupar cada vez mais espaço na paisagem cultural do país.

Na caatinga, os animais sabem utilizar a faveleira na hora certa. Quando as folhas da planta secam e caem no chão deixam de ser urticantes, servindo então de alimentos para caprinos, ovinos e suínos. Este tipo de vegetação, cujo nome científico é Cnidoscolus phyllacanthus é resistente à seca e se desenvolve em solos rasos e pedregosos.

Além de ser consumida de forma natural, as ramas e cascas servem para fazer feno e as sementes podem ser usadas para alimentar animais silvestres e domésticos. Sua fenologia indica o mês de janeiro como período do início da floração e fevereiro de frutificação.

Segundo estudos acerca do potencial desta espécie nativa da caatinga, a semente fornece um óleo comestível nutritivo e saboroso que contém 46% de proteínas, enquanto o óleo de oliva contém apenas 14%. A torta, subproduto da extração de óleo, é uma formidável ração, com cerca de 66% de proteínas, superando 46% contidos no farelo de soja, também usado na alimentação animal.

Bibliografia: Wikipédia /IRPAA – Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada / Abril.com.br

Jaqueline Aragão Cordeiro

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