O uso do couro do boi na vida do cearense

Durante o século XVIII, a criação de gado alcançou seu apogeu no Ceará, o caráter salino do solo e a abundância de pastos, determinou a multiplicação dos rebanhos e a “época do couro”.

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Dele fabricavam-se todas as coisas, pois era a matéria prima de mais fácil acesso e duradoura. De couro se produzia as portas das cabanas, o rude leito aplicado no chão duro e mais tarde, a cama para os partos, as cordas, o cantil para carregar água, o mocó ou alforge para carregar comida, a maca para guardar roupa, a mochila para dar milho aos cavalos, a peia para prender os animais, a bainha das facas, os surrões, a roupa de couro  do vaqueiro (gibão, perneira e chapéu) para poderem entrar na caatinga espinhenta, os banguês para curtume ou para apurar sal, chinelos, e no couro, se pisava tabaco para o nariz.

Também em couro era a mobília das casas: o encosto e o assento das cadeiras, o tamborete, a almofada dos bilros e os baús guarda-roupa.

A criação do gado era o forte das fazendas, as lavouras serviam apenas para atender as necessidades dos seus moradores. Toda a grandeza dessa criação de bovinos, fez do Ceará o maior produtor de charque do país, que foi reduzido drasticamente com as secas, quase acabou durante a seca de 1777 / 78 e foi extinto com com a seca de 1790 / 1793, pois não havia mais gado para matar, haviam morrido de fome e sede.

Fonte: Evolução histórica cearense, Raimundo Girão, 1986
Jaqueline Aragão Cordeiro

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