Parsifal Barroso

José Parsifal Barroso nasceu em Fortaleza, no dia 5 de julho de 1913 e faleceu em Fortaleza no dia 21 de abril de 1986. Era  filho de Hermínio Barroso e de Emília Cunha Barroso. Bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais. Em 1936, foi eleito deputado classista para a Assembleia Legislativa do Ceará. Permaneceu na Assembleia até o advento do Estado Novo, e a partir de então passou a dedicar-se à advocacia e ao magistério.

Com a deposição de Getúlio Vargas em 1945, elegeu-se deputado constituinte pelo Ceará na legenda do Partido Social Democrático (PSD). Em 1949 abandonou o magistério, dedicando-se apenas à carreira política. No ano seguinte, foi eleito deputado federal pelo PSD do Ceará, assumindo sua cadeira após deixar a Assembleia de seu estado. Nessa legislatura foi membro da Comissão de Finanças, sendo o relator do Plano de Valorização da Amazônia.

Ingressando no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), elegeu-se senador pelo Ceará em 1954. Tendo concluído o mandato de deputado federal em 1955, assumiu a cadeira no Senado. Com a posse de Juscelino Kubitschek na presidência da República, foi nomeado ministro do Trabalho, Indústria e Comércio, afastando-se do Senado por dois anos e meio.

Assumiu o ministério numa época de difícil definição política em função dos compromissos estabelecidos com a coligação partidária que levara Juscelino ao poder. Parsifal tentou evitar a participação política da classe operária através do controle governamental das estruturas e lideranças sindicais. Decidiu tomar as medidas necessárias para impedir que a esquerda assumisse o controle dos sindicatos, até mesmo anular eleições ganhas pelos comunistas.

Além de sua atuação na política sindical desempenhou, como ministro, funções de caráter técnico. Foi chefe da representação brasileira à Conferência Internacional do Trabalho, realizada em Genebra, Suíça, em 1956. No ano seguinte presidiu a Comissão de Enquadramento Sindical e foi membro do Conselho Coordenador de Abastecimento.

Em março de 1958, durante uma reunião de Juscelino com os governadores nordestinos, foi designado membro da comissão instituída para coordenar o auxílio ao Nordeste, que sofria os efeitos de grande seca. Neste mesmo ano, com o propósito de concorrer ao governo do Ceará, afastou-se do ministério. Retornou ao Senado para continuar seu mandato, sendo membro das comissões de Finanças e de Segurança Nacional. Em outubro de 1958, elegeu-se governador do Ceará na legenda das Oposições Coligadas, formada pelo PSD, o PTB e o Partido de Representação Popular (PRP). Assumiu o governo cearense em 25 de março de 1959, após encerrar seu mandato no Senado.

Exerceu o governo do estado sob três presidências da República: de Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros e João Goulart. Com o regime instaurado pelo movimento político-militar de 1964, retirou-se das funções públicas. Retornou em 1970 como deputado federal pelo Ceará, na legenda da Aliança Renovadora Nacional (Arena). Em 1971, tornou-se membro da Comissão de Educação e Cultura e suplente das comissões de Legislação Social e de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados.

Vice-líder da Arena nessa casa a partir de 1973, foi reeleito deputado federal pelo Ceará no pleito de novembro de 1974. Novamente vice-líder da Arena a partir de abril de 1975, tornou-se membro da Comissão de Ciência e Tecnologia e suplente da Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados. Ainda em 1975 foi escolhido primeiro vogal da Fundação Milton Campos para Pesquisas e Assuntos Políticos.

Nomeado ministro-conselheiro do Tribunal de Contas do Distrito Federal, renunciou a seu mandato de deputado federal em 1977. Em 1979 foi nomeado presidente do Tribunal de Contas do Distrito Federal, retornando posteriormente à função de ministro-conselheiro.

Foi também redator do jornal O Estado, de Fortaleza, sócio do Sindicato de Jornalistas Profissionais (RJ) e membro da Associação Cearense de Imprensa. Como escritor, lançou os seguintes livros: Um francês cearense, Vivências políticas e O Cearense, sua maior e mais respeitada obra, publicado pela primeira vez em 1969, o livro “O Cearense” ganha uma segunda edição em agosto de 2017.

Fonte: FGV (Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil-PDOC) / Sistema Verdes Mares
Jaqueline Aragão Cordeiro

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